quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Uma Abordagem Ágil para Riscos

Encontrei um material muito interessante no site da PM Today que trata do gerenciamento de riscos do projeto usando uma abordagem ágil. O link de acesso ao artigo original está no final desse texto. Tudo começa com a seguinte afirmação: - Reduzir a dependência dos números ajudou o maior produtor independente de estatísticas oficiais do Reino Unido a poupar dinheiro, reduzir a burocracia e melhorar sua eficiência. 



Empresa em foco: Office for National Statistics (ONS) do Reino Unido.
O Agile Business Consortion conversou com o Sr. Rich Williams, que ocupa o cargo de Chefe de Risco e Gestão da Qualidade Interna. Vejamos como a abordagem ágil ajudou a equipe da ONS a fazer mais com menos.

Pela própria natureza do trabalho, os estatísticos são treinados para pensar em termos de números e ter processos rigorosos para validar a precisão de seu trabalho. O gerenciamento tradicional de riscos também é uma disciplina baseada em números. O efeito dessas duas coisas tornou a situação ainda pior. 

Quando Rich Williams chegou a ONS há quatro anos, ele foi confrontado com uma polïtica de riscos e uma forma de trabalhar contendo mais de 56 páginas de texto. O banco de dados de gerenciamento de riscos possuia 60 campos que precisavam ser cuidadosamente preenchidos. Essa política era bastante abrangente, mas não considerava a forma como as pessoas realmente se comportavam, sendo muito difïcil de usar. Como resultado disso, verificou-se que apenas 24% dos prazos de revisão de risco estavam sendo atendidos. Em outras palavras, apenas poucas pessoas faziam o trabalho de realmente rever os riscos do projeto nos prazos estipulados.
Quem já trabalhou em uma empresa com excesso de regras, regulamentos e procedimentos rígidos sabe o significado da expressão se afogando na burocracia. "O sistema, da forma como estava, era extremamente burocrático, pesado e com foco na gestão do banco de dados de risco e não na gestão do risco em si", afirmou o Sr. Williams.

Rich Williams viu uma oportunidade de melhorar os processos de gerenciamento de riscos na ONS usando os princípios consagrados no pensamento ágil - tanto para gerenciar o processo de mudança quanto para moldar a prática futura.

Seguindo o framework de gerenciamento de projetos AgilePM desenvolvido pelo Agile Business Consortium, a abordagem de Rich Williams levou em consideração uma ampla comunicação e colaboração, combinada com um foco claro na necessidade do negócio. Igualmente importante foi o compromisso de proteger a qualidade e manter um nível apropriado de controle que a estrutura promove. A estrutura AgilePM minimiza, de forma intrínseca, o risco através de contatos de feedback regulares e oportunos com os usuários, enquanto que a abordagem tradicional (“waterfall”) tipicamente funciona com uma interação menos freqüente com os usuários e, portanto, tem essa clara desvantagem. A abordagem tradicional (“waterfall”) depende muitas vezes de relatórios extremamente abrangentes, que podem ser também onerosos, sobre o progresso do projeto, enquanto a abordagem ágil envolve confiança, muita conversa e participação direta como fonte de segurança. É destacada a diferença entre eliminar um relatório desnecessário – algo positivo – e simplesmente não documentar nada – algo incorreto. A equipe deve trabalhar e ajustar os níveis apropriados de informações para o projeto e garantir que essa comunicação aconteça. Isso deve ser feito!

Foi realizado um abrangente programa de engajamento das partes interessadas para entender o que os usuários internos queriam do pesado documento de gerenciamento de riscos. Isso ajudou a determinar o que precisava ser mantido e quais elementos poderiam ser descartados. Ao mesmo tempo, Rich Williams visitou e analisou a abordagem de gerenciamento de riscos de organizações externas, como departamentos governamentais, para ver quais lições poderiam ser aprendidas e o que constituía a melhor prática. O resultado foi uma política revisada em apenas seis páginas no formato A4. 

Uma abordagem semelhante foi tomada em relação ao banco de dados de gerenciamento de risco. A priorização das informações contidas resultou na redução da quantidade de campos, reduzidos dos 60 anteriores para apenas 16. Um benefício adicional foi o novo banco de dados desenvolvido usando recursos internos, gerando uma economia significativa.

Todavia, de muito mais valor a longo prazo foi a reação da equipe da ONS. Como resultado de estar intimamente envolvida em seu desenvolvimento, a equipe da ONS tomou posse do banco de dados e, não menos importante, com maior comprometimento em usá-lo e atualizá-lo.

3.500 usuários em toda a organização podem usar o banco de dados de risco e e existem 400 usuários principais. O cumprimento dos prazos de revisão de risco aumentou dramaticamente - e agora é de 99,6%.

Um projeto bem sucedido - A abordagem Agile permitiu que todas as mudanças fossem introduzidas em um cronograma com duração de 12 meses. 

O grande desafio de Rich Williams foi mover uma comunidade de estatísticos e economistas, inteligentes e experientes, focalizada em números, da abordagem tradicional para trabalhar considerando os princípios comportamentais de tomada de decisão e não matemáticos.
"O gerenciamento de riscos não é uma ciência exata, e aceitar esse fato - e não tentar convencer os colegas de que é uma pseudociência - facilitou a aceitação da minha abordagem".

"O projeto Agile produziu uma abordagem mais enxuta e eficiente para o gerenciamento de riscos na ONS e acelerou significativamente o ritmo de entrega de análise de ameaças, melhorando o serviço para usuários internos e clientes externos”.

sábado, 27 de janeiro de 2018

UNIFAJ investe em Impressoras 3D



As impressoras 3D têm sido amplamente utilizadas pelas instituições de ensino superior em vários de seus cursos. Um bom exemplo é a UNIFAJ - Centro Universitário Jaguariúna - que acaba de adquirir cinco impressoras 3D modelo MartaLab (foto).

Impressoras 3D MartaLab para a Unifaj


Para entender esse fenômeno basta verificar as aplicações dessa importante tecnologia. 

Na medicina, por exemplo, as impressoras 3D são usadas para fabricar uma variedade de dispositivos médicos, incluindo aqueles com geometria complexa ou características que combinam a anatomia única de um paciente. Alguns deles são impressos a partir de um design padrão para fazer múltiplas cópias idênticas do mesmo. Outros dispositivos são criados a partir dos dados de exames de imagem, pois são específicos de um paciente. Os dispositivos médicos impressos em 3D comercialmente disponíveis incluem guias para auxiliar na colocação cirúrgica, implantes e próteses externas.

Os cientistas estão pesquisando como usar o processo de impressão 3D para fabricar órgãos vivos, como um coração ou fígado, mas esta pesquisa está em estágios iniciais de desenvolvimento.

Na educação a tecnologia de impressão 3D é de fato uma ferramenta facilitadora que permite a criação de:

·      -   Protótipos pelos estudantes de engenharia;
·      -  Modelos tridimensionais pelos estudantes de arquitetura;
·     -   Artefatos históricos para exame pelos estudantes de história;
·     -    Versões 3D de obras de arte pelos estudantes de design gráfico;
·   - Mapas topográficos, demográficos ou populacionais pelos estudantes de geografia;
·      -   Peças modificadas ou de reposição pelos estudantes da área automotiva;
·      -   Modelos 3D de moléculas pelos estudantes de química;
·    -   Células, vírus, órgãos e outros artefatos biológicos pelos estudantes de biologia;
·   - Modelos que representem desafios e problemas para resolver pelos estudantes de matemática.

Bem, é isso aí! Até a próxima.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Pra gente começar 2018 pensando que sempre é possível fazer melhor!



De acordo com matéria do jornal The New York Times de 28 de dezembro de 2017 e publicado no site www.cnbc.com, apesar dos enormes avanços da tecnologia o que se conclui é que somos apenas humanos.

A matéria ressalta que em 2017 o badalado Vale do Silício, na California-EUA, pareceu muito com um bonde sem freio de escândalos e pecado. Os problemas incluíram relatos sobre assédio sexual e mau comportamento de executivos do Uber e sobre o Facebook por não manter a sua plataforma a salvo de propagandistas russos e extremistas globais. Isso sem falar no Twitter e no YouTube que passaram a maior parte do ano lutando para se purificar de neonazistas, exploradores infantis e outros seres indesejáveis. Mas, como destaca a matéria citada, nem tudo foi ruim. Como muitas das maiores empresas do Vale do Silício estavam causando estragos, inúmeras pessoas e organizações usaram a tecnologia para avançar em causas importantes e resolver problemas em larga escala. A matéria destaca que é possível fazer o bem usando a tecnologia e apresenta alguns esforços tecnológicos que produziram benefícios sociais reais em 2017.

Ajudando os cegos a ver
Aira – uma start-up em San Diego, fornece "interpretadores visuais" através de um serviço de assinatura sob demanda. Os usuários usam óculos equipados com câmeras que compartilham o que vêem através de uma conexão sem fio incorporada com uma pessoa que descreve os arredores ou orienta-os a executar tarefas complicadas em tempo real. 

Fonte: Aira

eSight - uma empresa em Toronto, está construindo tecnologia para pessoas que têm deficiência visual, mas não perderam completamente a visão. Este ano a empresa lançou o eSight 3, a última versão do seu fone de ouvido/óculos de assistência visual, que usa câmeras digitais e algoritmos de processamento de imagem, semelhantes aos encontrados em alguns sistemas de realidade virtual, para capturar e aprimorar o que o usuário vê. A imagem aprimorada é exibida em duas telas perto dos olhos do usuário, melhorando sua capacidade de ver detalhes pequenos ou distantes.

Fonte: eSight


Mantendo a água saindo da torneira
As programadoras Tiffani Ashley Bell e Kristy Tillman descobriram que milhares de residentes de baixa renda da cidade de Detroit estavam com seus abastecimentos de água cortados por falta de pagamento. Por isso, decidiram criar o Detroit Water Project, uma plataforma online que casava doadores voluntários com domicílios de Detroit com contas de água não pagas. A organização sem fins lucrativos, agora conhecida como Human Utility, se expandiu para Baltimore. Em 2017, os doadores da organização pagaram mais de US $ 120.000 em contas de água para cerca de 300 famílias. É uma maneira simples, mas eficaz, de garantir que as pessoas tenham acesso a uma necessidade humana básica.

Fonte: The Human Utility

Usando a criptografia para o bem
É difícil argumentar que o boom do bitcoin do final de 2017, que dominou a conversa tecnológica e criou riquezas para um grupo reduzido, foi benéfico para a sociedade em geral. Mas dois projetos se destacaram por tentar transformar a mania da criptografia em uma força positiva.
Bail Bloc – um projeto criado pelo The New Inquiry, uma revista on-line, é um aplicativo que usa o poder de processamento de reposição do seu computador para produzir uma “cryptocurrency” chamada monero, que é semelhante ao bitcoin. O monero gerado pelo software é então convertido em dólares e doado para o Bronx Freedom Fund, uma organização que ajuda a pagar taxas de fiança para os nova-iorquinos de baixa renda que foram acusados de delitos menores, para que possam sair da prisão enquanto esperam julgamento. No seu primeiro mês, o aplicativo criou e doou mais de US$3.000 em monero.
Pineapple Fund - criou uma forma mais misteriosa de filantropia usando a criptografia. A organização foi iniciada em dezembro por um doador anônimo, com o apelido de "Pine" e que afirma estar entre os 250 maiores detentores de bitcoins do mundo. O fundo pretende distribuir $86 milhões de bitcoin e já deu US$ 20 milhões da moeda para 13 organizações, incluindo doações de milhões de dólares para o Projeto Água, que fornece água limpa para as pessoas na África subsaariana e para a Electronic Frontier Foundation, um organismo de controle de direitos digitais. (Essas doações podem ser verificadas graças ao sistema de livros digitais da Bitcoin, que registra cada transação em um banco de dados público.) Esse tal de "Pine", seja lá quem seja ele ou ela, parece ter encontrado uma maneira de converter Bitcoin em algo realmente útil.

Usando IA para ser mais justo durante as contratações
Pymetrics - uma empresa start-up de Nova York, usa algoritmos de Inteligência Artificial para neutralizar o viés em vez de perpetuá-lo. Isso faz com que o software ajude as empresas a avaliar os candidatos de emprego, substituindo métodos defeituosos adotados nas práticas de recrutamento por uma série de jogos baseados em neurociência que se destinam a ser não discriminatórios. Os resultados desses jogos são analisados com algoritmos que comparam as habilidades de um candidato com as de funcionários existentes. Os resultados do algoritmo são então analisados e ajustados para se certificar de que eles não estão dando uma vantagem aos candidatos de qualquer gênero, raça ou formação educacional. É uma maneira de tornar o processo de contratação mais justo e colocar candidatos de origens não tradicionais em melhores condições. Grandes corporações, como a Unilever e a Accenture, já estão usando a Pymetrics para diversificar seus pools de talentos. 

Fonte: Pymetrics


Ajudando imigrantes a navegar no labirinto legal
A política dura e polêmica da administração Trump em 2017 tornou a vida mais difícil para muitos imigrantes e suas famílias. Felizmente, um punhado de start-ups está tentando ajudar.
Visabot - uma empresa de São Francisco, criou uma ferramenta automatizada para orientar os imigrantes através do processo de solicitação de extensões e transferências de vistos, arquivamento de "green cards" e outras tarefas comuns de imigração. A ferramenta, um chatbot que funciona no Facebook Messenger, ajuda os imigrantes a coletar os documentos que precisam e sugere melhorias em suas aplicações. A empresa diz que 100 mil pessoas usaram seus serviços, e recentemente lançou versões chinesas, hindus e espanholas.

A matéria termina com um apelo: “Let's have more of these in 2018, and fewer behemoths behaving badly”, que seria algo como “vamos ter mais disso (bons exemplos) em 2018, e menos gigantes se comportando mal”. Bem, é isso ai! Até a próxima.
Fonte: ROOSE, K. The New York Times, 2017. Disponível em